Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

segunda-feira, 10 de maio de 2010

and all that Jazz



- Venha cá, amor. Por que não pintamos a cidade esta noite?

Começamos pelo sete. A fome mostrou-se de tal maneira insaciável que a própria cidade não foi mais que um aperitivo ao nosso apetite por pinturas. Coisa de artista. Coisa de homem. Coisa de mulher. Casas noturnas, gins gelados, pianos quentes, e todo aquele jazz. Ah, mas que jazz era aquele? Algo como nunca se viu. Sons como que sussurros que, furtivamente, adentravam meus ouvidos e domavam com selvageria minha total consciência. O jazz enlouquecia com uma cadência própria e quase carinhosa, e então era só brusquidão, ritmo, frenesi. O jazz entrou. Noite à dentro, noite a fora. E de novo, e de novo. Ninguém nunca cansa do jazz. E foram joelhos vermelhos. Meias pelo chão. Abraços em conhecidos, pequenos e grandes abraços, tal qual coelhos. Houveram também aspirinas para quem não agüentasse tanto Jazz. Achas que precisaria de uma? Oh, o jazz levou-nos até os céus, tal qual melodia adorada por todo ser vivente nessa terra, que é. As estrelas nos tocavam deliciosamente e todo o burburinho calou, nós nunca havíamos voado tão alto. Afinal, quem liga pra burburinhos quando todo esse jazz te levou à estratosfera? Mães iriam parir de novo de desgosto se soubessem que suas lindas princesinhas vão ao delírio com todo esse jazz. E fomos ao delírio. A melodia e o ritmo tão somente melhoravam com o decorrer da musica, e tudo acelerava, tudo correu para o gran finale. E ele chegou, numa nota estrondosa, vibrante, ensurdecedora, mas impossivelmente afinada. Ops! Foi hora de nos vestirmos, tirarmos os joelhos vermelhos do chão, e sair discretamente daquele banheiro sujo. Adentramos atordoados ao salão barulhento. Apesar das vozes, berros, disputas de cartas, o jazz estava lá, sendo tocado primorosamente. O Jazz não acaba, o jazz não morre. Não enquanto durar essa gente suja. Não enquanto formos todos nada mais que essa gente. Não enquanto formos todos nada mais que sujeira pura. Porque essa gente simplesmente não consegue parar todo esse jazz.

9 comentários:

Anônimo disse...

e precisa eu comentar pra tu saber que eu gostei.. e nao é pq eu sou tua amiga nao.se tivesse ruim eu falava, tu sabe! andressa almeida

Thaynara Gomes disse...

Pra começar Chicago é Chicago e só pelo tema já gostei.Tu soube encaixar bem os trechos da música no teu texto e eles deram um ritmo legal à leitura. Enquanto lia, imaginava aquela cena belíssima da Velma Kelly em cima do piano cantando "All that Jazz"...essa parte da aspirina também tem na música,né?Ah!Me apaixonei pela segunda foto dela no piano com o dançarino mordendo a luva. Deu até charme e um ar sensual ao teu texto, pois já sugere um cenário pro leitor se situar no texto. Foi muito feliz tu teres trazido essa sensualidade ao texto, pois Chicago é isso (até me lembrei das tuas palavras dizendo que o texto tava bem sac...haha).

Acho que depois ficaremos com um gostinho de "quero mais".Que tal NINE?Haha.Parabéns pelo texto!

LP disse...

Chicago ganhou Oscars! teu texto devia ir pelo mesmo caminho, rsrs O jazz realmente alucina lá e cá, e a descrição dessa noite cabaredesca me fascina! Parabens por mais um texto da 'meia noite' q me faz gostar ainda mais dos teus escritos!

Adryany disse...

Não assisti ao filme mas esse texto foi feito num ritmo tão envolvente que parece não só que ja o tinha assistido como me deu a impressão de estar dentro da cena...meu pensamento dançou ao som de suas palavras q mais uma vez despensam comentários mas como comentar nunca é demais: texto mais que envolvente, com aquela pitada de leviandade que o fez atrativo e sedutor!!!Parabéns Lucas!!
Adryany

lucas disse...

Rapz, infelizmente ainda não assisti esse filme..mas depois do seu texto o que não faltou foi vontade. afinal o que um jazz não faz, hein? Parabéns, seus textos me 'inspiram'toda vez que os leio. Abraco

Mariana disse...

Nossa ainda n vi esse filme,mas por esse texto sei que vou gostar!Adoreii, que sensual leitura! ahuaha

Lucas disse...

tô sabendo mariana. essas coisas libidinosas sao contigo mesmo ;D
ahahha
brigaaado pelo elogioo *-*

Karolline Garcês disse...

Gostei, gosto. ;)

Amanda Arrais disse...

Agora que assisti o filme entendi com toda certeza o texto bem melhor. Concordo com tudo que Thaynara falou, tu soubeste adaptar as palavras ao cenário e a toda ideia do filme com os trechos bem escolhidos. Lindo filme e belo texto. :]